O Francisco está com três anos e sete meses.
Para nós, isso significa "quase quatro". Para ele, é muito mais do que isso. Ele infla o peito e repete, como se fosse um mantra "eu não sou mais um bebê".
Até uma semana atrás ele ainda usava fralda para dormir. E até uma semana atrás Fabrício e eu tínhamos decidido tirar a noturna só na primavera, para evitar colchão molhado, pijama molhado e todo o desgaste de passar por isso em noites geladas, onde tudo o que não se quer é ter que sair debaixo dos cobertores.
Mas como eu disse, isso foi até semana passada. Chegamos em casa uma noite e quando pegamos a fralda o Francisco simplesmente surtou:
- Eu não sou mais um bebê! Eu não vou usar "folda". Não vou, não vou. "Pur favoe!!!"
E tudo isso com lágrimas muito sinceras nos olhos, num lamento de dar dó.
Fabrício e eu nos olhamos e descombinamos o combinado imediatamente.
E sabem o que isso significa?
Desde a semana passada voltamos a acordar de madrugada. Ele começou a dormir a noite toda com um mês de vida e raramente acordava à noite. Mas agora, com três anos e sete meses, temos que acordar de madruga pra levar o mocinho para o banheiro. Ele vai dormindo e volta dormindo e pouco se lembra o que houve. Já eu, depois de acordar levo um tempão pra dormir de novo. E o mais frustante é que muitas vezes já é tarde demais e quando chegamos lá, o pijama já está mijado.
Mas agora não temos como voltar atrás. Ele já está todo orgulhoso de não usar fralda pra dormir e conta para cada um que encontra a grande novidade. Eu não tenho coragem de tirar isso dele.
E vai ter um momento em que ele simplesmente vai conseguir segurar o xixi à noite, assim como ele aprendeu a segurar durante o dia. Neste pouco tempo no papel de mãe eu aprendi que muitas conquistas do desenvolvimento dos pequenos acontecem de repente. Quando a gente vê, já foi. Foi assim com relação a dormir a noite toda, ao refluxo, à fala, a comer sozinho, a largar a fralda diurna e a deixar a mamadeira. Simplesmente aconteceu no momento em que ele estava pronto. É o milagre do desenvolvimento e ao mesmo tempo, um exercício para mim, que adoro estar no núcleo da coordenação, que adoro que tudo aconteça como eu quero. O Francisco e suas fases tem me ensinado muito sobre paciência, resiliência, respeito, observação, tolerância, auto-controle e o que significa de verdade amar alguém. E eu simplesmente esqueço que abri não de um pouco do meu sono todos os dias quando entro no quarto dele e ele me abraça e me beija com aquele bafinho de sono e me diz:
"mamãe, eu te amo muito mais".
quinta-feira, 16 de maio de 2013
sexta-feira, 10 de maio de 2013
(Quase) Tudo sobre minha mãe.
Quando eu penso na minha mãe penso em uma mulher forte, talvez a mais forte que eu tenha oportunidade de conhecer. Mas ao mesmo tempo me vem uma mulher frágil, que se emociona com um comercial de TV, que enche os olhos d´agua quando diz eu te amo, que desde de que eu era muito pequena até hoje, caminha comigo de mãos dadas e sempre me recebe e se despede de mim com um selinho. Se ela não fosse filha única, eu até poderia pensar que era irmã da Hebe.
Quando eu penso na minha mãe eu me lembro de um lindo sábado de sol em que fomos tomar sorvete (meus pais, eu e meus irmãos) num daqueles dias comuns em família, mas que acabou se tornando o dia em que quase a perdemos, vítima de um aneurisma cerebral muito grave.
Quando eu penso na minha mãe me lembro do otimismo dela ao afirmar que iria dar tudo certo, mas também me lembro de ver lá no fundo dos seus olhos o medo e o desejo de ter uma nova chance para poder revisitar a sua história e construir uma nova ao nosso lado.
Me lembro da quase alta e logo depois, da tal recaída clínica e em seguida, o coma.
Me lembro dos meses em que eu e meus irmãos moramos com amigos queridos dos meus pais, achando que estávamos meio de férias, meio de castigo. Me lembro do meu pai sempre nos dizendo que estava tudo bem, mesmo sabendo que não estava e talvez nunca mais estivesse. Mas não existem pessoas com mais fé que meus pais. E me atrevo a dizer que nunca vi um casal se amar tanto quanto os dois. Acho que estas duas palavrinhas "fé" e "amor" tiraram minha mãe do coma e ela voltou pra casa.
Me lembro do dia em que ela chegou em casa: entrou pela garagem completamente careca, com uma enorme cicatriz na cabeça, falando como um bebê que está aprendendo a falar e mesmo assim, ela estava linda pra mim.
Nos abraçamos nela e choramos mesmo não entendendo tudo o que ela tinha passado e tudo que ainda iria passar.
Sem fala e quase sem memória, minha mãe teve que reaprender tudo.
Me lembro do caderno de caligrafia igual ao meu da primeira série e ela se esforçando para escrever. Lembro das idas ao supermercado para ensinar o que era um tomate, uma alface, uma banana.
Apesar de ter perdido parcialmente a memória ela não tinha perdido o gosto pela cozinha e muitas vezes comemos comida adoçada dizendo que estava maravilhosa, porque ela trocava o sal pelo açúcar ou o açúcar pela farinha e a gente morria só de pensar em decepcioná-la.
Me lembro da primeira quase frase que ela falou no meio de um almoço: "esperção de perspeção" e mesmo não significando nada concreto, comemoramos pelo simples fato de ela ter conseguido falar algo. Eu, minha irmã e meu irmão éramos "dódi". Quando ela chamava "dódiiiiiiiiii" íamos os três para ver qual deles ela queria. E à medida em que o tempo passava, que as aulas de fonoaudiologia iam acontecendo, a minha mãe (aquela do sábado à tarde, sorridente tomando sorvete) ia voltando.
Ela se esforçava tanto que até parecia sentir dor às vezes. Mas nunca desistia. E quando percebemos, ela tinha atingido 90% de recuperação de um caso em que o médico havia afirmado que deveríamos ficar felizes com 20%, talvez 30%. E de lucro ficou com um sotaque no estilo "americana que mora há pouco tempo no Brasil" e que nos rendeu histórias engraçadas como o dia em que americanos puxaram assunto com ela numa locadora de vídeo, ou o dia em que ela fez uma "barbeiragem" no trânsito e foi liberada pelo policial por que não era "daqui" (comigo ao lado ajudando a mentir).
E por tudo isto, não existe no mundo todo, maior significado para a palavra Mãe do que a minha mãe e tudo o que ela representa: força, alegria, determinação, coragem, persistência, dedicação, paixão (pela vida, pelo marido, pelos filhos, pelos netos, pelos amigos e até pelos parentes), autenticidade, honestidade, compaixão, talento para receber e fazer com que todo mundo se sinta em casa.
Minha mãe é uma mulher que nos inspira a sermos mães tão poderosas quanto ela, tão amorosas quanto ela, tão generosas quanto ela.
Quero terminar pedindo desculpas a ela por todas as vezes em que eu não entendi o que ela queria falar e por todas as vezes em que não quis me esforçar para entender. Hoje eu a entendo até de olhos fechados, mas isso é algo que só a maturidade faz por nós. O que passou, passou... paciência.
E aproveito para agradecer ao meu pai por ter sido pai e mãe de três filhos durante muito tempo, por ter aguentado as nossas crises de adolescente, a nossa rebeldia sem razão e tantas outras barras complicadas para segurar sozinho. Hoje, tudo voltou ao normal e os "sábados de sol com sorvete" estão cada vez melhores e muito mais divertidos.
Quando eu penso na minha mãe eu me lembro de um lindo sábado de sol em que fomos tomar sorvete (meus pais, eu e meus irmãos) num daqueles dias comuns em família, mas que acabou se tornando o dia em que quase a perdemos, vítima de um aneurisma cerebral muito grave.
Quando eu penso na minha mãe me lembro do otimismo dela ao afirmar que iria dar tudo certo, mas também me lembro de ver lá no fundo dos seus olhos o medo e o desejo de ter uma nova chance para poder revisitar a sua história e construir uma nova ao nosso lado.
Me lembro da quase alta e logo depois, da tal recaída clínica e em seguida, o coma.
Me lembro dos meses em que eu e meus irmãos moramos com amigos queridos dos meus pais, achando que estávamos meio de férias, meio de castigo. Me lembro do meu pai sempre nos dizendo que estava tudo bem, mesmo sabendo que não estava e talvez nunca mais estivesse. Mas não existem pessoas com mais fé que meus pais. E me atrevo a dizer que nunca vi um casal se amar tanto quanto os dois. Acho que estas duas palavrinhas "fé" e "amor" tiraram minha mãe do coma e ela voltou pra casa.
Me lembro do dia em que ela chegou em casa: entrou pela garagem completamente careca, com uma enorme cicatriz na cabeça, falando como um bebê que está aprendendo a falar e mesmo assim, ela estava linda pra mim.
Nos abraçamos nela e choramos mesmo não entendendo tudo o que ela tinha passado e tudo que ainda iria passar.
Sem fala e quase sem memória, minha mãe teve que reaprender tudo.
Me lembro do caderno de caligrafia igual ao meu da primeira série e ela se esforçando para escrever. Lembro das idas ao supermercado para ensinar o que era um tomate, uma alface, uma banana.
Apesar de ter perdido parcialmente a memória ela não tinha perdido o gosto pela cozinha e muitas vezes comemos comida adoçada dizendo que estava maravilhosa, porque ela trocava o sal pelo açúcar ou o açúcar pela farinha e a gente morria só de pensar em decepcioná-la.
Me lembro da primeira quase frase que ela falou no meio de um almoço: "esperção de perspeção" e mesmo não significando nada concreto, comemoramos pelo simples fato de ela ter conseguido falar algo. Eu, minha irmã e meu irmão éramos "dódi". Quando ela chamava "dódiiiiiiiiii" íamos os três para ver qual deles ela queria. E à medida em que o tempo passava, que as aulas de fonoaudiologia iam acontecendo, a minha mãe (aquela do sábado à tarde, sorridente tomando sorvete) ia voltando.
Ela se esforçava tanto que até parecia sentir dor às vezes. Mas nunca desistia. E quando percebemos, ela tinha atingido 90% de recuperação de um caso em que o médico havia afirmado que deveríamos ficar felizes com 20%, talvez 30%. E de lucro ficou com um sotaque no estilo "americana que mora há pouco tempo no Brasil" e que nos rendeu histórias engraçadas como o dia em que americanos puxaram assunto com ela numa locadora de vídeo, ou o dia em que ela fez uma "barbeiragem" no trânsito e foi liberada pelo policial por que não era "daqui" (comigo ao lado ajudando a mentir).
E por tudo isto, não existe no mundo todo, maior significado para a palavra Mãe do que a minha mãe e tudo o que ela representa: força, alegria, determinação, coragem, persistência, dedicação, paixão (pela vida, pelo marido, pelos filhos, pelos netos, pelos amigos e até pelos parentes), autenticidade, honestidade, compaixão, talento para receber e fazer com que todo mundo se sinta em casa.
Minha mãe é uma mulher que nos inspira a sermos mães tão poderosas quanto ela, tão amorosas quanto ela, tão generosas quanto ela.
Quero terminar pedindo desculpas a ela por todas as vezes em que eu não entendi o que ela queria falar e por todas as vezes em que não quis me esforçar para entender. Hoje eu a entendo até de olhos fechados, mas isso é algo que só a maturidade faz por nós. O que passou, passou... paciência.
E aproveito para agradecer ao meu pai por ter sido pai e mãe de três filhos durante muito tempo, por ter aguentado as nossas crises de adolescente, a nossa rebeldia sem razão e tantas outras barras complicadas para segurar sozinho. Hoje, tudo voltou ao normal e os "sábados de sol com sorvete" estão cada vez melhores e muito mais divertidos.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Um mundo sem mulheres seria igual a um mundo sem homens: muito chato.
Fazia muito tempo que eu não assistia ao Fantástico. Mas com a tv a cabo fora do ar, acabei assistindo a abertura da nova série "mundo sem mulheres", onde onze homens aceitam encarar o desafio de ficar uma semana sem as esposas em casa, assumindo sozinhos o cuidado com os filhos, com a casa, o trabalho e todos os itens que envolvem administrar uma família.
Os perfis foram escolhidos a dedo: tem pai de trigêmeas de menos de três anos, pai de pré-adolescentes, pai de menina. Tem pai preguiçoso, pai machista, pai mau humorado e pai calmo até demais. Vários estilos de vida e de encarar a rotina diária e o papel de cada um nela.
Mas também tem vários tipos de mãe: mãe que só cuida dos filhos e nunca passou um dia longe deles na vida, mãe multitarefa e mais descolada, mãe autoritária e centralizadora, que mesmo que nunca tenha limpado o banheiro todos os dias, quer que o marido limpe enquanto estiver fora.
A proposta é simples: férias para elas e trabalho duro para eles durante sete dias.
Na despedida: elas choraram e eles fizeram uma churrascada para comemorar.
Nas entrelinhas elas estavam dizendo: "será que eles sobreviverão sem mim? Vou morrer de saudades." E eles: "Vai dar tudo certo, claro."
Mas o que me chamou mais atenção é que vários séculos se passaram e parece que ainda existe, em muitas famílias, aquela visão de que o papel do homem é prover a família e o da mulher, o de cuidar da casa e dos filhos. Só que hoje, grande parte da mulheres trabalha fora e a organização da família, da casa, do casal está sendo cada vez mais dividida entre os dois (ou não).
Posso dar o exemplo lá de casa: eu amo cozinhar, então, a cozinha é minha (e com a louça e tudo, pq eu gosto de lavar louça e não gosto de secar). Em contrapartida, eu odeio lavar roupa, e a organização da roupa é do Fabrício. O jardim também fica com ele, pq não levo o menor jeito com cortador de grama e não sei podar árvores. Ele sabe. Quando o assunto é o Francisco tudo foi sempre dividido: eu levo, ele busca. Eu dou banho e ele troca e vice-versa. Quando chora à noite, a gente também tenta revesar, embora o meu sono seja bem mais leve e eu ouça qualquer suspiro, o que me leva, na grande parte das vezes a pular da cama primeiro. E a limpeza da casa fica a cargo da faxineira que vai uma vez por semana e a gente promete (e se esforça) manter a casa em ordem até a próxima visita.
E assim a vida segue.
Mas tem uma coisa no comportamento da grande maioria das mulheres que muitas vezes incentiva essa postura mais light dos homens em casa: o sentimento de que ela faz melhor que ele, é mais antenada que ele, faz mais de uma coisa ao mesmo tempo e ele não. Quando ele pensa em fazer, ela já foi lá e fez. Mas na verdade, e eu aprendi isso na marra, não tem o melhor jeito de fazer, o que existe é fazer e pronto. Cada um do seu jeito.
Às vezes eu fico observando e percebo que o Fabrício dá banho no Francisco de um jeito totalmente diferente do meu. Eu troco o Francisco de um jeito diferente dele. Ele dá bronca, diferente de mim e por aí vai. Na hora de escolher roupa, é sempre diferente. Mas cada um faz a sua parte do seu jeito e procura não sobrecarrega o outro com tudo.
E tenho certeza de que a grande maioria (se não, todas) dessas onze mulheres vai ficar de queixo caído ao perceber que seus maridos deram conta do recado. E a grande maioria dos homens vai perceber como é complicado fazer tudo zozinho, apesar de ser possível. Vão valorizar mais suas esposas ao final desta semana. Mas o saldo será positivo para ambos os lados, com toda a certeza.
Os perfis foram escolhidos a dedo: tem pai de trigêmeas de menos de três anos, pai de pré-adolescentes, pai de menina. Tem pai preguiçoso, pai machista, pai mau humorado e pai calmo até demais. Vários estilos de vida e de encarar a rotina diária e o papel de cada um nela.
Mas também tem vários tipos de mãe: mãe que só cuida dos filhos e nunca passou um dia longe deles na vida, mãe multitarefa e mais descolada, mãe autoritária e centralizadora, que mesmo que nunca tenha limpado o banheiro todos os dias, quer que o marido limpe enquanto estiver fora.
A proposta é simples: férias para elas e trabalho duro para eles durante sete dias.
Na despedida: elas choraram e eles fizeram uma churrascada para comemorar.
Nas entrelinhas elas estavam dizendo: "será que eles sobreviverão sem mim? Vou morrer de saudades." E eles: "Vai dar tudo certo, claro."
Mas o que me chamou mais atenção é que vários séculos se passaram e parece que ainda existe, em muitas famílias, aquela visão de que o papel do homem é prover a família e o da mulher, o de cuidar da casa e dos filhos. Só que hoje, grande parte da mulheres trabalha fora e a organização da família, da casa, do casal está sendo cada vez mais dividida entre os dois (ou não).
Posso dar o exemplo lá de casa: eu amo cozinhar, então, a cozinha é minha (e com a louça e tudo, pq eu gosto de lavar louça e não gosto de secar). Em contrapartida, eu odeio lavar roupa, e a organização da roupa é do Fabrício. O jardim também fica com ele, pq não levo o menor jeito com cortador de grama e não sei podar árvores. Ele sabe. Quando o assunto é o Francisco tudo foi sempre dividido: eu levo, ele busca. Eu dou banho e ele troca e vice-versa. Quando chora à noite, a gente também tenta revesar, embora o meu sono seja bem mais leve e eu ouça qualquer suspiro, o que me leva, na grande parte das vezes a pular da cama primeiro. E a limpeza da casa fica a cargo da faxineira que vai uma vez por semana e a gente promete (e se esforça) manter a casa em ordem até a próxima visita.
E assim a vida segue.
Mas tem uma coisa no comportamento da grande maioria das mulheres que muitas vezes incentiva essa postura mais light dos homens em casa: o sentimento de que ela faz melhor que ele, é mais antenada que ele, faz mais de uma coisa ao mesmo tempo e ele não. Quando ele pensa em fazer, ela já foi lá e fez. Mas na verdade, e eu aprendi isso na marra, não tem o melhor jeito de fazer, o que existe é fazer e pronto. Cada um do seu jeito.
Às vezes eu fico observando e percebo que o Fabrício dá banho no Francisco de um jeito totalmente diferente do meu. Eu troco o Francisco de um jeito diferente dele. Ele dá bronca, diferente de mim e por aí vai. Na hora de escolher roupa, é sempre diferente. Mas cada um faz a sua parte do seu jeito e procura não sobrecarrega o outro com tudo.
E tenho certeza de que a grande maioria (se não, todas) dessas onze mulheres vai ficar de queixo caído ao perceber que seus maridos deram conta do recado. E a grande maioria dos homens vai perceber como é complicado fazer tudo zozinho, apesar de ser possível. Vão valorizar mais suas esposas ao final desta semana. Mas o saldo será positivo para ambos os lados, com toda a certeza.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Reunião de pais ou momento para falar dos filhos?
Ontem foi a reunião de abertura do ano letivo na escolinha onde o Francisco estuda. Como eu tinha tido um dia cheio e estava muito cansada, fiz algo que não combina muito com meu perfil tagarela: fiquei ouvindo muito mais do que falando.
E por isso, pude perceber muitas coisas nas entrelinhas e entender um pouquinho mais desse universo dos pais e mães.
- Pais e mães podem ser muito inseguros quando o assunto é como meu filho está se desenvolvendo:
Distinguir as cores, identificar letras, aprender a não comer a pasta de dente, aprender a contar uma história com começo, meio e fim, saber ir ao banheiro sozinho, tirar a fralda noturna, largar a mamadeira, o bico... tudo isso, deixa os pais aflitos e embora todos digam que cada criança é diferente da outra, as comparações são inevitáveis.
- Pais e mães podem virar uma fera quando o assunto é a integridade de seu filho:
A grande maioria dos pais trabalha fora e a escola acaba sendo uma extensão da própria família. É ali que os pequenos constróem as primeiras relações, começam a ter noção de coletividade, de limites, de respeito, de amizade. Mas em algum momento alguém será mordido ou morderá. Pode acontecer um tombo ou outro, uma briga por disputa de brinquedos e em meio a uma turma de várias crianças haverá momentos em que o professor não vai poder evitar. Então os pais precisam ter bom senso para compreender que existe uma difereça enorme entre negligência e acidente.
- Pais e mães (neste caso, mais mães) sempre falam ao mesmo tempo e querem dividir uns com os outros as aventuras de seus filhos: como eles são em casa, as gracinhas, as travessuras, o jeito engraçado como falam. E sempre quando fazem isso os olhos brilham de orgulho, sem excessão.
- Para trabalhar com crianças tem que gostar de criança. Simples assim. Elas dão trabalho, quando estão em grupo podem fazer coisas que até Deus duvida, mas se quem cuida deles ama o que faz isso tudo é encarado com naturalidade e até as broncas e os castigos ficam mais leves e esse amor se reflete em casa, com crianças mais felizes, mais tranquilas e amorosas.
- A grande maioria das crianças come de tudo na escola e em casa não.
- A grande maioria das crianças não entende que o dia do brinquedo é só na sexta-feira.
- A grande maioria dos pais não entende que o dia do brinquedo é só na sexta-feira (ops).
E por isso, pude perceber muitas coisas nas entrelinhas e entender um pouquinho mais desse universo dos pais e mães.
- Pais e mães podem ser muito inseguros quando o assunto é como meu filho está se desenvolvendo:
Distinguir as cores, identificar letras, aprender a não comer a pasta de dente, aprender a contar uma história com começo, meio e fim, saber ir ao banheiro sozinho, tirar a fralda noturna, largar a mamadeira, o bico... tudo isso, deixa os pais aflitos e embora todos digam que cada criança é diferente da outra, as comparações são inevitáveis.
- Pais e mães podem virar uma fera quando o assunto é a integridade de seu filho:
A grande maioria dos pais trabalha fora e a escola acaba sendo uma extensão da própria família. É ali que os pequenos constróem as primeiras relações, começam a ter noção de coletividade, de limites, de respeito, de amizade. Mas em algum momento alguém será mordido ou morderá. Pode acontecer um tombo ou outro, uma briga por disputa de brinquedos e em meio a uma turma de várias crianças haverá momentos em que o professor não vai poder evitar. Então os pais precisam ter bom senso para compreender que existe uma difereça enorme entre negligência e acidente.
- Pais e mães (neste caso, mais mães) sempre falam ao mesmo tempo e querem dividir uns com os outros as aventuras de seus filhos: como eles são em casa, as gracinhas, as travessuras, o jeito engraçado como falam. E sempre quando fazem isso os olhos brilham de orgulho, sem excessão.
- Para trabalhar com crianças tem que gostar de criança. Simples assim. Elas dão trabalho, quando estão em grupo podem fazer coisas que até Deus duvida, mas se quem cuida deles ama o que faz isso tudo é encarado com naturalidade e até as broncas e os castigos ficam mais leves e esse amor se reflete em casa, com crianças mais felizes, mais tranquilas e amorosas.
- A grande maioria das crianças come de tudo na escola e em casa não.
- A grande maioria das crianças não entende que o dia do brinquedo é só na sexta-feira.
- A grande maioria dos pais não entende que o dia do brinquedo é só na sexta-feira (ops).
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Pra fazer do limão, uma limonada.
O Francisco continua na fase de não experimentar novidades alimentares. E quem é mãe sabe o quanto o tema alimentação rende no dia-a-dia dos pequenos.
Uma criança que não come nos frustra, nos causa um sentimento de culpa e, não raras as vezes, nos deixa em pânico. Como assim, não quer comer? E nestes poucos três anos de experiência como mãe uma coisa eu aprendi: não adianta nada forçar.
Lembro-me muito bem da única vez que tentei empurrar comida goela abaixo no Francisco e levei um prato de lentilha na cabeça. É ÓBVIO que ele foi duramente repreendido, que ficou sem comer até a próxima refeição, que teve que pensar na sua atitude. Mas lá no fundo, sei que agi errado.
Forçar só faz a criança ver o momento de comer como um fardo, algo complicado e pouco prazeroso. E se ela não está com fome naquele momento (e pode ser sincero), deixa pra lá, curte a refeição e guarda o prato dela no forno, quando bater a fome, ofereça a mesma coisa e ela vai comer bem feliz.
No quesito não experimentar alimentos novos inventamos uma brincadeira em casa que tem funcionado, pelo menos pra romper a barreira da primeira garfada. Chama-se adivinha o que é.
É bem simples, pega o alimento e diz "abre a boca e fecha os olhos". Quando a criança estiver pronta, coloca o alimento em sua boca e pede pra adivinhar o que é. E repete isso com seu marido, ou com a vó ou com outra pessoa da casa. Dia desses ele experimentou atum, tomate cereja e pimentão, este último quase colocando todos os anteriores pra fora. Mas experimentou. E por causa da brincadeira, tem tido mais facilidade para aceitar o novo. Ontem, mesmo achando muito estranho ter um peixe rosa servido no almoço (salmão) ele experimentou e encerrou com um "não quero mais, obrigada", mas provou.
E outra coisa que tem funcionado é envolver o Francisco comigo e o Fabricio no preparo das refeições. Ele nos ajuda a temperar os alimentos, lava as folhas pra fazer a salada, experimenta enquanto estamos cozinhando e até dá palpite no que gostaria de comer no almoço ou no jantar. Assim ele vai aprendendo sobre os alimentos de um jeito bem divertido e quando servimos tem aquela sensação de "fui eu que fiz" e aí curte mais o momento de estarmos juntos apreciando uma bela refeição em família.
E a sobremesa? Ah, esta não é prêmio, e sim, a continuação da refeição. Se comeu, o próximo ítem é a sobremesa, se não comeu, sinto muito.
E assim a gente vai, uma refeição de cada vez com paciência e persistência, sempre.
Uma criança que não come nos frustra, nos causa um sentimento de culpa e, não raras as vezes, nos deixa em pânico. Como assim, não quer comer? E nestes poucos três anos de experiência como mãe uma coisa eu aprendi: não adianta nada forçar.
Lembro-me muito bem da única vez que tentei empurrar comida goela abaixo no Francisco e levei um prato de lentilha na cabeça. É ÓBVIO que ele foi duramente repreendido, que ficou sem comer até a próxima refeição, que teve que pensar na sua atitude. Mas lá no fundo, sei que agi errado.
Forçar só faz a criança ver o momento de comer como um fardo, algo complicado e pouco prazeroso. E se ela não está com fome naquele momento (e pode ser sincero), deixa pra lá, curte a refeição e guarda o prato dela no forno, quando bater a fome, ofereça a mesma coisa e ela vai comer bem feliz.
No quesito não experimentar alimentos novos inventamos uma brincadeira em casa que tem funcionado, pelo menos pra romper a barreira da primeira garfada. Chama-se adivinha o que é.
É bem simples, pega o alimento e diz "abre a boca e fecha os olhos". Quando a criança estiver pronta, coloca o alimento em sua boca e pede pra adivinhar o que é. E repete isso com seu marido, ou com a vó ou com outra pessoa da casa. Dia desses ele experimentou atum, tomate cereja e pimentão, este último quase colocando todos os anteriores pra fora. Mas experimentou. E por causa da brincadeira, tem tido mais facilidade para aceitar o novo. Ontem, mesmo achando muito estranho ter um peixe rosa servido no almoço (salmão) ele experimentou e encerrou com um "não quero mais, obrigada", mas provou.
E outra coisa que tem funcionado é envolver o Francisco comigo e o Fabricio no preparo das refeições. Ele nos ajuda a temperar os alimentos, lava as folhas pra fazer a salada, experimenta enquanto estamos cozinhando e até dá palpite no que gostaria de comer no almoço ou no jantar. Assim ele vai aprendendo sobre os alimentos de um jeito bem divertido e quando servimos tem aquela sensação de "fui eu que fiz" e aí curte mais o momento de estarmos juntos apreciando uma bela refeição em família.
E a sobremesa? Ah, esta não é prêmio, e sim, a continuação da refeição. Se comeu, o próximo ítem é a sobremesa, se não comeu, sinto muito.
E assim a gente vai, uma refeição de cada vez com paciência e persistência, sempre.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
A fase do "não gotu esse".
Lembro muito bem do orgulho que eu sentia ao contar para todo mundo que o Francisco comia de tudo. Exibia um sorriso de orelha à orelha cada vez que listava todos os alimentos do cardápio dele, o que incluía brócolis, cenoura, beterraba, madioquinha, batata, pepino, tomate, ervilha, couve. Contava, toda cheia de mim, que ele comia Yakissoba, Risoto, comidinhas diferentes, todas as frutas e sempre estava disposto a experimentar algo novo.
Pois bem, eles fez três anos e entrou na fase do "não gotu esse". E não é que ele tenha experimentado e chegado a conclusão de que não gostou deste ou daquele alimento. Ele nem sequer experimenta. Olha, faz uma cara de nojo e fecha o assunto com o tradicional "não gotu esse".
O cardápio atual do Francisco inclui arroz, feijão, massa, pão, ovos, algumas carnes (exceto peixe), a grande maioria das frutas, exceto melancia e mamão, brócolis, beterraba e milho, além dos preferidos pepino, azeitonas e muito, muito iogurte. E lendo isso você pode estar pensando: "a Lola é louca. O Francisco come super bem, tem um cardápio bem variado e até saudável". Porém, quando o assunto é experimentar coisas novas e variar é que a coisa complica.
Ontem, por exemplo, tivemos dois momentos bem tensos.
Primeiro, no almoço, onde fiz uma carne de panela com batatas, salada de brócolis com milho e uma massinha com molho, só pra garantir. Estava tudo ótimo, sem exageros de temperos, mas ele não quis comer praticamente nada. A batata tinha problema porque estava no molho e o molho tinha coisinhas verdes desconhecidas. O brócolis era problema porque tinha milho e ele não tinha pedido e eu coloquei no prato. Sobrou a massinha com caldo de feijão e a esta altura ele já tinha ficado chateado por insistirmos que ele comece mais opções e ele acabou comendo nada a saindo da mesa, só de birra. Depois, morrendo de fome, se atracou num abacaxi e foi aquilo o seu almoço.
Depois, já quase na hora do banho, depois de voltarmos do supermercado, tivemos uma discussão acalorada porque o mocinho torceu o nariz para farinha láctea. Gente, farinha láctea, coisa que toda criança gosta. E ele nem sequer aceitou experimentar na pontinha da colher. Fez uma cena digna de Oscar, com tossidas, ânsia de vômito e choro que parecia que o que estava sendo oferecido era água de boeiro. Depois de várias tentativas e negociações mal sucedidas, ele foi pro banho, sem lanche e teve que pensar um pouco sobre experimentar comidas novas. Depois de pensar ele me chamou pra conversar, pediu desculpas e disse que ia experimentar. Aí eu expliquei que para a gente saber se gosta e até que não gosta de alguma coisa temos que experimentar. Que isso faz parte e que a gente pode ter boas surpresas. Vamos ver se ele entendeu nos próximos dias. E se ainda não tiver entendido, não vamos desistir, persistência e paciência são a chave pra chegarmos lá.
E me contem, como é a alimentação dos seus pequenos?
Pois bem, eles fez três anos e entrou na fase do "não gotu esse". E não é que ele tenha experimentado e chegado a conclusão de que não gostou deste ou daquele alimento. Ele nem sequer experimenta. Olha, faz uma cara de nojo e fecha o assunto com o tradicional "não gotu esse".
O cardápio atual do Francisco inclui arroz, feijão, massa, pão, ovos, algumas carnes (exceto peixe), a grande maioria das frutas, exceto melancia e mamão, brócolis, beterraba e milho, além dos preferidos pepino, azeitonas e muito, muito iogurte. E lendo isso você pode estar pensando: "a Lola é louca. O Francisco come super bem, tem um cardápio bem variado e até saudável". Porém, quando o assunto é experimentar coisas novas e variar é que a coisa complica.
Ontem, por exemplo, tivemos dois momentos bem tensos.
Primeiro, no almoço, onde fiz uma carne de panela com batatas, salada de brócolis com milho e uma massinha com molho, só pra garantir. Estava tudo ótimo, sem exageros de temperos, mas ele não quis comer praticamente nada. A batata tinha problema porque estava no molho e o molho tinha coisinhas verdes desconhecidas. O brócolis era problema porque tinha milho e ele não tinha pedido e eu coloquei no prato. Sobrou a massinha com caldo de feijão e a esta altura ele já tinha ficado chateado por insistirmos que ele comece mais opções e ele acabou comendo nada a saindo da mesa, só de birra. Depois, morrendo de fome, se atracou num abacaxi e foi aquilo o seu almoço.
Depois, já quase na hora do banho, depois de voltarmos do supermercado, tivemos uma discussão acalorada porque o mocinho torceu o nariz para farinha láctea. Gente, farinha láctea, coisa que toda criança gosta. E ele nem sequer aceitou experimentar na pontinha da colher. Fez uma cena digna de Oscar, com tossidas, ânsia de vômito e choro que parecia que o que estava sendo oferecido era água de boeiro. Depois de várias tentativas e negociações mal sucedidas, ele foi pro banho, sem lanche e teve que pensar um pouco sobre experimentar comidas novas. Depois de pensar ele me chamou pra conversar, pediu desculpas e disse que ia experimentar. Aí eu expliquei que para a gente saber se gosta e até que não gosta de alguma coisa temos que experimentar. Que isso faz parte e que a gente pode ter boas surpresas. Vamos ver se ele entendeu nos próximos dias. E se ainda não tiver entendido, não vamos desistir, persistência e paciência são a chave pra chegarmos lá.
E me contem, como é a alimentação dos seus pequenos?
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Um banho de chuva pra ficar na memória.
Eu tenho um livro que adoro - 100 Coisas pra fazer com seu filho antes dele completar 11 anos (acho que é isso) - que fala de ideias muito simples, mas que deixam qualquer um feliz. Do tipo, comer a sobremesa antes do almoço, deixar de ir trabalhar um dia pra ficar curtindo o filho em casa, fazer cabaninha de lençóis, ir domir mais tarde, cineminha em casa, enfim, aquelas coisinhas que exigem muito pouco, mas fazem diferença e ficam nas nossas melhores lembranças de infância.
Tomar banho de chuva faz parte da minha lista pessoal e tive a oportunidade de fazer isso com o Francisco sábado, num daqueles dias em que a última coisa em que se pensaria é que iria chover.
Fomos ao supermercado (coisa que o Francisco adora, assim como eu), fizemos as compras, depois tomamos o tradicional sorvete de casquinha e quando estávamos saindo do super, eu empurrando o carrinho de compras com o Francisco em meio a sacos de pão, legumes, frutas e caixas de leite, desaba o mundo nas nossas cabeças e como ficava muito complicado sair correndo, porque o super estava megalotado, resolvi acatar a decisão de São Pedro e deixar a chuva molhar. O Francisco ria tanto e tão alto que as pessoas que passavam por nós riam também, tamanha a alegria e surpresa dele com cada pingo de chuva que caía no seu rosto. Chegamos no carro, ambos encharcados e morrendo de rir, quando eu avisto um guarda-chuva no banco de trás, mas a estas alturas eu nem queria mais.
Fomos pra casa ensopados e falando sobre como foi legal aquele banho de chuva e combinando que "di semana" (outro dia em francisques) a gente toma outro.
Tomar banho de chuva faz parte da minha lista pessoal e tive a oportunidade de fazer isso com o Francisco sábado, num daqueles dias em que a última coisa em que se pensaria é que iria chover.
Fomos ao supermercado (coisa que o Francisco adora, assim como eu), fizemos as compras, depois tomamos o tradicional sorvete de casquinha e quando estávamos saindo do super, eu empurrando o carrinho de compras com o Francisco em meio a sacos de pão, legumes, frutas e caixas de leite, desaba o mundo nas nossas cabeças e como ficava muito complicado sair correndo, porque o super estava megalotado, resolvi acatar a decisão de São Pedro e deixar a chuva molhar. O Francisco ria tanto e tão alto que as pessoas que passavam por nós riam também, tamanha a alegria e surpresa dele com cada pingo de chuva que caía no seu rosto. Chegamos no carro, ambos encharcados e morrendo de rir, quando eu avisto um guarda-chuva no banco de trás, mas a estas alturas eu nem queria mais.
Fomos pra casa ensopados e falando sobre como foi legal aquele banho de chuva e combinando que "di semana" (outro dia em francisques) a gente toma outro.
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