quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Dicionário Francisques aos dois anos.

Não tenho como deixar de registrar as maravilhas desta fase do Francisco: a descoberta da fala, das palavras e do significado de muitas delas. Sei que se eu não deixar gravado em algum lugar logo, logo isso vai se apagar da minha memória e eu vou me pegar tentando lembrar, sem conseguir. Então, lá vai.

dilossalo = dinossauro
tomá o almoço = almoçar
celôla = acerola
blóquili = brócoles
cami = carne
galinhão = frango (por causa da peça de teatro que ele viu que tinha uma galinha que era chamada de galinhão)
colação: coração (de frango, que ele ama e come quase um espeto sozinho, se deixar)
somimesa = sobremesa (o que vem depois de tomá o almoço)
João Pegu = como ele chama o primo João Pedro
Lala = como ele chama a prima Laura
Mathês = como ele chama o primo Matheus
Ico Cavalu Ne Môla = o nome dele é Francisco Carvalho de Moura
Fabício Cavalu Ne Môla = o nome do pai dele é Fabrício Carvalho de Moura
Lola Cavalu Ne Môla = o meu nome é Lola Carvalho de Moura
(conclusão: todos são "fulano" Cavalu Ne Môla pro Francisco)
Baquinho: barquinho
Olha uma luaaaaaa = quando ele vê uma lâmpada à noite
"eu não vô mais se tiste" = quando ele quer dizer "eu vou ser querido"
o Icoooo = quando ele quer fazer alguma coisa sozinho
Ico = Francisco
touada = torrada (o lanche preferido dele)
bata fria = batata frita (ele nunca come, mas sempre pede, só pra ver a gente rir dele)
tomá médio = tomar remédio
bani = o DVD do Barnei
muca = música
balão macu = balão mágico (seu CD preferido)
aebatadoe = tocar tambor ou ouvir a música "...sucesso arrebatador em lá américa central" do balão mágico
peadu = pelado
muca di boca = gaita de boca
cóqui - crocks
pijama di lua = pijama com estampa de estrelas que ele tem
pijama rótirrol = pijama com estampa de guitarras que ele tem

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Levar um bebê em show de adultos. Quem está no lugar errado?

Dia desses li no Caderno Donna, na coluna da Martha Medeiros, um texto sobre atitudes que esperamos que alguém tome, quando na verdade o alguém somos nós mesmos. E para ilustrar ela fala de um episódio em que fica estarrecida com uma mãe que leva seu bebê para assistir a um show de rock, pelo fato de não ter "alguém" pra ficar com ele e gostar muito, muito da banda. E aí a pergunta era: "que tal, você?". Pois bem, fui a um show no sábado passado, onde havia em torno de 50 mil pessoas e me deparei com uma moça e seu filho - de pouco mais de seis meses - nos braços. Nas poucas horas que estive lá, vi muita gente passando mal pelos cantos, sendo carregada por seguranças, acompanhei pelo menos três brigas e tudo isso no ambiente que era um pouco mais reservado ou VIP, que era onde ela estava com o bebezinho. E a pergunta que eu faço é: quem estava no lugar errado? Como mãe eu sempre preservei ao máximo o Francisco de certos tipos de exposição. Bebês são frágeis, não tem imunidade suficiente para lidar com determinados tipos de bactérias e virus que estão na grande maioria dos lugares que frequentamos. Então, até 1 ano, ele ia conosco em lugares "mais confiáveis", sem tanto tumulto, sem tanta gente. Mas cá entre nós, um show não é lugar para criança pequena, né? Normalmente, a classificação mínima é 12 anos e ainda assim, acho arriscado expor uma criança a um ambiente de adultos e que oferece tantos riscos. Acho que tudo tem um limite. A organização deste tipo de evento deveria barrar casos assim e mandar voltar pra casa, pois caso algo aconteça os organizadores podem ser até penalizados. Sei de muitos pais que se consideram mega descolados em envolver os filhos em tudo o que fazem e enchem a boca pra dizer "o fulaninho desde bebê, já ia a shows comigo", mas os pais podem ser descoladíssimos aproveitando a sua vida e continuando seus programas preferidos, sem envolver os filhos, curtindo sozinhos aquele show tão esperado ou saindo pra jantar com os amigos sem ter hora pra voltar. Para isso é que existem as babás, os tios, os avós, os dindos...show pra criança pequena é quase programa de índio. E se não tiver mesmo com quem deixar, compra um DVD e assiste em casa. Não é tão mal assim.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Nem sempre seu filho tem razão.

Eu fico impressionada com algumas mães quando o assunto é a socialização dos pequenos. Quando colocam seus filhos em contato com outras crianças não os deixam interagir sem estar sempre apreensivas, prontas para defender sua cria em toda e qualquer situação.
Não querem que brinquem pq podem se machucar, não querem que sentem no chão pq podem se sujar, não deixam fazer nenhum movimento, pq podem cair. E aí quando as crianças têm a oportunidade de brincar com outras crianças, não se soltam, não conseguem tirar o sapatinho e pisar na terra, na grama, não conseguem se lambusar comendo com as mãos, não conseguem ser crianças.

Acho que acabei me soltando mais nesta questão por dois motivos: primeiro, pq o Francisco foi pra escolinha antes dos 4 meses. Certo ou errado, o fato é que por motivos profissionais não tive outra escolha e isso acabou me ajudando neste desprendimento. Neste lado de tocar minha vida durante boa parte do dia, enquanto o Francisco tocava a dele. Ele teve contato com mais crianças muito cedo e isso também ajudou na questão do desenvolvimento e para que ele mesmo descobrisse como se portar e a lidar com determinadas situações, como disputa por brinquedos, mordidas e noção de limites, horários e coletividade.
Segundo, pq tenho na minha família crianças em 3 idades diferentes e que convivem muito.
O Matheus, com 4 anos. O Francisco, com 2 anos e a Laura, a caçulinha com 1 ano e pouquinho. Neste convívio entre os primos acabei aprendendo a deixar as coisas irem acontecendo e a permitir que eles mesmos fossem descobrindo como resolver determinados problemas sozinhos. É claro, que não deixamos o circo pegar fogo para intervir. Mas damos a eles o tempo e o espaço necessários para tentarem negociar entre si e escolher a melhor alternativa. E quase sempre funciona. É claro que rola um empurrão aqui, uma tentativa de mordida ali, mas no fim de tudo, eles sempre acabam se entendendo e percebendo o que é certo e errado nesta quase etiqueta infantil.

Mas tem uma coisa que me impressiona mais ainda: o fato de algumas mães acharem que seus filhos sempre têm razão e não permitirem que eles aprendam a dividir, a compartilhar, a lidar com as diferenças de idade e com situações em que não podem agir de determinada forma ou fazer exatamente o que gostariam. Já vi muita mãe, quando outra criança pega o brinquedo do filho dizer "esse é do fulano" e não incentivá-lo a emprestar. O Francisco, por exemplo, é campeão de estar feliz da vida fazendo alguma coisa e quando percebe que alguém pegou um brinquedo dele que estava lá do outro lado da sala, sair correndo e querer pegar pra si. Eu sempre tento mostrar pra ele, que o brinquedo é dele sim, mas que ele pode emprestar, afinal, nem estava brincando com ele. E normalmente ele entende. Acaba sendo tudo uma questão de negociação.
Tem vezes que ele não quer emprestar algo pq está brincando superbem e eu também não forço, negocio com ele dizendo que se ele não quer emprestar agora, não tem problema, que quando ele quiser, ele empresta e ofereço alguma outra opção ao amigo. E segundos depois, normalmente ele resolve emprestar.
Dar um pouco mais de autonomia nesta hora acaba fazendo com que a criança aprenda sozinha a lidar com as situações, mesmo que no momento pareça que se instaurou o caos. A gente acaba tendo que falar a mesma coisa umas cem vezes e sem garantia que daqui há cinco minutos não vai acontecer tudo de novo. Mas a repetição leva a perfeição.

As crianças tem toda a capacidade do mundo para entender o que é certo ou errado, que tem determinados comportamentos aceitáveis e outros não. Que às vezes é sim e que às vezes é não. Basta falar claramente o que se quer e o que se espera deles em toda e qualquer situação. O Francisco fez escândalo uma vez só no supermercado para comprarmos algo que não havia sido combinado. Fomos firmes no nosso combinado, mesmo com ele berrando alucinadamente e se jogando no chão. Nos mantivemos firmes e quando chegamos no carro eu coloquei claramente que nunca mais queria que ele agisse daquela forma, que quando combinamos algo é para ser cumprido, que não gostamos do comportamento dele e que talvez ele não pudesse mais ir conosco ao super. De lá pra cá, sempre estabelecemos antes o que faremos, o que compraremos, se ele poderá escolher algo diferente ou não e tem ocorrido tudo bem. E mesmo não sabendo até quando, eu prefiro ir agindo desta forma clara e sincera comigo e com ele, pq tenho impressão que desta forma, estou contribuindo para formar uma pessoa mais preparada para a vida, que cá entre nós, não é muito fácil.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O que é isso, mamãe?

O Francisco já está dando os primeiros sinais de que logo, logo estará pronto para abandonar as fraldas. Na escolinha tem um colega que está passando por este processo e o nosso filho resolveu imitar o amigo. E eu que estava pensando em fazer este processo só no verão, tive que dar uma antecipadinha também.
Tirar as fraldas é um processo de independência muito bacana, tanto para a criança, quando para os pais, mas até chegar na fase de não usar mais fraldas de verdade e não deixar nada escapar, vai um bom tempo de treino de paciência, persistência e muitas situações engraçadas.
No domingo passado, eu experimentei deixar o Francisco sem fraldas, apenas de sunga. Ele tomava suco, tomava água e eu perguntando a cada cinco minutos "quer fazer xixi?" e ele sempre dizia "agora não". De repente, ele me diz "eu qué i banhero agóa" e eu fui com ele, mas quando chegamos, já estava todo molhado. Aí eu calmamente expliquei que não tinha problemas, que logo, logo ele ia conseguir chegar em tempo de fazer xixi no penico. Que isso era bem normal. Até mesmo pq ele não estava com um ar de muito preocupado com a situação.
Aí abortei a missão, coloquei a fralda de volta e tudo certo.
Aí na terça-feira, eu estava com ele tomando banho e ele acocado em frente a sua banheira, brincando com seus bonecos e cacarecos todos, enquanto eu tomava meu banho. De repente, eu sinto um cheirinho estranho e percebi que ele estava fazendo uma certa força.
Ele levanta super rápido e bem assustado com tudo o que aconteceu. Afinal de contas o que era aquela coisa marron que tinha saído de dentro dele? Eu fiquei surpresa com a situação de ele fazer cocô no chão, mas ele ficou mais surpreso ainda pq nunca tinha visto o seu próprio cocô naquela situação e até daquela forma, já que na fralda fica bem diferente. Ele me olhava com os olhos assustados e apontando pro cocô dizia, "mamãe, mamãe, ó, ó!".
A vontade de rir era imensa, mas eu percebi que se tratava de algo bem importante pra ele. Então me ajoelhei ao seu lado e expliquei que aquilo ali era o "seu cocô", que tinha saido dele e que quando a gente não usava fralda era assim mesmo. Falei para ele que fazer cocô era normal, que o papai e a mamãe também fazem e que agora íamos colocar na privada e ele ia ir embora e tal, e tal. Aí ele entendeu - ou fez que entendeu - e voltou a brincar.
Este processo mal começou e eu já pude perceber como esta etapa vai ser importante pra que o Francisco consiga mais independência, auto-confiança e auto-controle. E pra gente vai ser um exercício de paciência e de mostrar pra ele que não é pq deixou escapar um xixi ou um cocô um dia, que tu estará perdido.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O que fazer com a culpa?



Ser mãe é um exercício constante de saber lidar com a culpa.

Culpa por ter perdido a paciência.

Culpa por ter alterado o tom de voz. Culpa por ter negado uma bolacha antes do almoço.

Culpa por ter chegado cansada do trabalho e não ter tido tanta vontade de brincar de tocar guitarra, de correr pela casa, de pular em cima da cama, de fazer festinha de aniversário de mentirinha, de brincar de cavalinho.

Mas tem uma coisa que me deixa me sentindo mais culpada do que todas as outras: ter esquecido de mandar ou fazer alguma coisa pra alguma atividade da escolinha do Francisco. Hoje cheguei na escolinha com ele, como de costume e vi que tinha um monte de cavalinhos de brinquedo, destes de cabo de vassoura, em cima de uma mesa. Na hora me deu um click e pensei "meooo deosss" não li o caderno antes do feriado! E não deu outra, hoje era dia da "cavalgada da escolinha" e cada criança deveria levar seu alasão customizado. E o do Francisco não compareceu ao evento. Fiquei a tarde toda pensando nisso, me corroendo de culpa e pensando na cena de todas as crianças se divertindo e cavalgando em seus cavalinhos e o Francisco meio de lado, sem ter como participar. Sei que provavelmente deveria ter algum alasão sobressalente e que o Francisco pôde participar da brincadeira da mesma forma, mas para mim, doeu. E na verdade não importa se hoje os pais são mais ocupados do que ontem, que a grande maioria das mães trabalha fora, chega tarde, nada justifica pra mim o fato de não ter me dedicado e feito o "trabalhinho", ainda mais que ontem era feriado. Mas ok, como diz a minha terapeuta, vamos colocar em prática a terapia do ok. Sei que ao longo da vida, muito outros episódios como estes poderão acontecer e sei que o melhor é não maximizar e nem minimizar demais os fatos. Vamos ter outras oportunidades de mostrar nossos dotes artísticos de reciclagem e trabalhos manuais. Afinal de contas, semana Farroupilha tem todo o ano.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

1 ano e 10 meses. Descobertas e desafios.

O Francisco pega um DVD na estante, vem correndo pra mim e diz com um sorrisão no rosto:
- Mamãeeeeee, Uchu é ligal.
Olhei pras suas mãozinhas e ele estava com o DVD do U2. Nem preciso dizer que quase morri de rir - e de orgulho - dele. E concluí que ele queria dizer que "U2 é legal".
E esta é só uma das pérolas dessa fase do Francisco, que completou há pouco 1 ano e 10 meses.
Ele já está falando umas cem palavrinhas, já formula frases simples, como por exemplo "me dá o mamá!", aliás, esta ele solta tão logo eu entro no quarto pela manhã, tamanha é a sua fome matinal.
Mas tem muitas outras coisas engraçadinhas. Aqueles momentos em que tudo está em silêncio e a gente quase esquece que tem criança em casa, mas aí decide dar uma conferida e quando vê está lá o Francisco dentro do banheiro, fazendo uma obra de arte com giz de cera na tampa branquinha da privada. Aí tu olha pra ele com ar de reprovação e ele solta "dessenho, mamãe".
Esta fase, também tem as imitações. Eles sempre imitam os pais.
Estes dias o Francisco estava fazendo de conta que me dava comida, mas eu disse que não queria e ele fez exatamente como eu faço com ele "ah, mamãe, só um buquinho". Tudo é tão fofo, mas tão fofo, que até pequenas desobediências são relevadas porque acabamos achando tudo uma gracinha e temos até pena de estragar aquele momento repreendendo. Mas é aí que mora o perigo. Mesmo sendo engraçadinho, a criança precisa aprender que tudo tem limite, que não pode riscar a parede, que não dá pra tirar tudo de dentro das gavetas, que não é legal ficar baixando e aumentando o volume do som. Que não é bacana jogar os brinquedos no chão, quando somos contrariados. São formas de mostrar para a criança que ela tem que aprender a lidar com limites e até com pequenas frustrações. E mesmo parecendo insignificante, isto vai fazer toda a diferença quando esta criança crescer e tiver que encarar o mundo com mais propriedade. Neste pouco tempo de convivência com o Francisco aprendi uma coisa: que não dá pra ter preguiça de educar. Tem sim, que falar mil vezes "não mexe aí", "não sobe a escada", "não atira os brinquedos", "não risca a parede", "não bota o dedo na tomada". Não, não, não... serão milhões deles ao longo do tempo, serão milhões de choros e serão milhões de "não adianta chorar, não faremos isto neste momento." E nenhuma criança deixa de amar os pais em função disto.
E com o tempo eu tenho percebido que funciona. É tudo uma questão de comunicação clara.
Lá em casa não tem essa de "come, que te dou um chocolate". Não quer comer, é porque não está a fim, quando tiver fome, vai comer. Na hora do banho, avisamos antes que ele terá mais um tempinho pra brincar e que logo depois chamaremos pro banho. Se chorar na hora? Não adianta. O que foi combinado, foi combinado. A hora de dormir? De segunda a 5a feira é sempre a mesma, nos finais de semana, pode ser um pouco mais tarde. As vezes tem choro, tem briga, mas ficamos irredutíveis e ele acaba entendendo que é assim e pronto.
Os pais precisam mostrar que eles estão no comando e não o contrário. A criança precisa deste norte, caso contrário ela fica perdida. Procuro também dar oportunidades de escolha ao Francisco, como por exemplo, perguntando que brinquedo ele quer levar pra escola, se ele prefere pera ou banana de lanche, se ele quer assistir a um DVD ou brincar no quarto. Aliás, esta foi uma dica da minha irmã, que já tem dois. E com isso a criança vai aprendendo que pode escolher, que pode se manifestar, que pode ter opinião.
Cada fase tem descobertas e inúmeros desafios e vai ser assim pra sempre. Porque para os pais seus filhos serão sempre pequenos e carentes de proteção.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Pérolas que só acontecem nas pracinhas.




No último sábado aproveitamos o raro momento "fim de semana ensolarado" e levamos nossos afilhados Matheus (4) e Laura (1) e o Francisco para brincar na pracinha de Campo Bom. Aliás, os dirigentes de Novo Hamburgo deveriam se "inspirar" na prefeitura de Campo Bom e ver como uma cidade fica valorizada e mais vibrante com praças, ciclovias e parques que os seus cidadãos podem frequentar. Mas este não é o tom deste post. Foi só um desabafo por morar numa cidade que têm muita área livre e pouca vontade de fazer.


Ok, fomos na pracinha. Como foi um dos raros dias lindos deste inverno rigoroso que nós gaúchos temos enfrentado, a pracinha estava tomada de crianças de todas as idades, tamanhos, humores e um monte de adultos acompanhando. Numa observação que não precisava ser muito profunda já deu para observar os mais variados estilos de pais, de tios, de jeitos de cuidar dos filhos, de dar bronca, de cuidar da manha, de acudir quando o bonitinho ou bonitinha cai de um brinquedo ou leva um encontrão de uma criança maior que simplesmente "ignora" aqueles pequenos bebês que só atrapalham, e derruba sem dó nem piedade. Mas também deu pra presenciar algumas coisas muito engraçadas e outras que deveriam ser motivo de vergonha para muitos pais.




1. Tem criança que vai sozinha na pracinha.


Tinha umas crianças aloprando muito, tocando o terror, derrubando os pequenos, querendo puxar briga, furando a fila no escorregador, subindo o escorregador ao invés de descer, enfim, tendo um comportamento pouco sociável com os demais. E aí eu fiquei me perguntando "onde estão os pais destas crianças???". E pode saber que eles estavam ali. Muito provavelmente numa conversa muito animada com alguma amiga, muito provavelmente mãe de outra criança e muito provavelmente nem aí para o que o seu filho fazia. Pracinha não é babá e têm crianças que não se conhecem e que estão vivendo fases muito diferentes umas das outras. Os pais têm obrigação de controlar, auxiliar e dar um "chega pra lá" no seu filho quando ele não estiver sendo bacaninha com os outros.


2. Tem muita mãe sem noção


Estávamos eu e minha irmã sentadas em um banco, ela com a Laura no colo e o Fabricio brincando com o Francisco e o Matheus e uma menininha vinha até nós e dava um bjo ou braçava a Laura. Achei estranho tanto amor, mas minha irmã me disse que elas estão na mesma maternal. De repente, ela vem de novo e fala pra minha irmã, "me dá água, estou com sede", prontamente minha irmã deu e ela bebeu quase meia garrafinha num gole só, tadinha. Aí minha irmã perguntou "onde está a sua mãe?" e agora choquem com a resposta da menina de 7 anos "está ali atrás dando uns pegas num tio". Mellll delllsss!!! Que tipo de mãe abandona a filha a própria sorte na pracinha e vai "dar uns pegas num tio" num cantinho do lugar - e o que é pior, ainda conta isso pra filha? Com certeza foi o momento "choquei" do passeio.


3. Cigarro não combina com pais.


Podem me chamar de tudo: chata, mal humorada, politicamente correta, enfim, mas não posso fazer nada. Acho que cigarro não combina com pais e mães. Pronto, falei. É muito "cachorrão baixo astral" fumar perto de crianças. Tinha um senhor e sua esposa acendendo um cigarro após o outro e soltando fumaça na cara dos pequenos que brincavam na pracinha. O cara levava o filho e colocava no escorregador com o cigarro pendurado na boca. A gente queria lanchar e aquela fumaça medonha invadia a nossa bolachinha, o nosso iogurte, a nossa cara. Bah que saco! E outra, as crianças imitam. Se vêem o pai e a mãe fumando, pq não vão querer fumar também num futuro não muito distante? Até acho que se a pessoa gosta, curte, não consegue largar, ok, mas faz isso sozinha, quando não tem criança por perto.



4. Faça o que eu digo, mas não o que eu faço.


Um pai (o mesmo que fumava sem parar) chama a família para ir tomar sorvete. Até aí tudo inofensivo e queridinho. Sua esposa pergunta "fulanildo, onde tu estacionou o carro?" e ele "na vaga dos deficiente (assim no singular mesmo) e sai puxando duma perna no meio da pracinha tirando sarro e dizendo, "se o guarda me parar eu me finjo". Aí a mulher dele alertou "mas tem que ter o cartão e um adesivo no carro" e ele " eu digo que perdi e que peguei o carro emprestado." Que coisa mais feia, hein? As crianças presenciaram o pai pagando esse mico e devem ter pensado "como meu pai é esperto". Depois como cobrar uma conduta adequada dos pequenos?


Bom, chega por hoje. Essa ida à pracinha foi praticamente um estudo antropológico. Quase daria pra escrever um livro no estilo "Chique" só sobre como manter o "glamour" na pracinha.