segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mamãe, cadê o teu "tico"?

Foi aberta a temporada oficial das perguntas.
O Francisco está no auge da sua curiosidade sobre as coisas e agora, quando menos se espera, aparece com alguma pergunta nova.
Ontem, logo depois do banho, deitei com ele no sofá enquanto ele tomava mamadeira.
De repente ele olha pra mim e diz:
- mamãe, onde tá o teu tico?
e eu, meio sem jeito, respondo:
- filho, as meninas não tem tico, tem "perereca". Só os meninos é que tem tico.
e ele, nenhum pouco convencido, larga essa:
- teu tico sumiu, sim "senhoe", mamãe.
Quase morri de rir dele e percebi que isto é só o começo.

terça-feira, 20 de março de 2012

Ser mãe, muitas vezes é frustrante.

Hoje eu vou usar o meu blog como se fosse o meu diário, onde eu simplesmente escrevo como estou me sentindo, mesmo que isto signifique que eu possa parecer doida.
Ser mãe muitas vezes é frustrante. Mas ao mesmo tempo é um aprendizado constante neste exercício de saber lidar com as frustrações, por que um filho coloca em cheque muitas coisas na vida da gente. Um filho não vai sair das fraldas quando queremos ou achamos que ele deve. Um filho não vai aceitar sempre ir tomar banho no mesmo horário. Um filho nem sempre vai querer almoçar, mesmo que tu tenha se esmerado e feito a melhor refeição dos últimos tempos. Um filho é um ser humano como qualquer outro e independente da sua idade, vai ter momentos de mau humor, de birra, de conflitos e nós pais temos que aprender a entender e acolher estes sentimentos e lidar com eles de forma adulta e o mais racional possível. É isso que passa segurança. Mas falar, ou melhor escrever, é bem mais fácil do que agir. A birra que o Francisco fez ontem pra tomar banho me fez perder o controle de uma forma que me fez questionar se eu sirvo mesmo pra essa tarefa "quase santa" que é ser mãe. Depois que tudo foi resolvido e ele foi dormir, já mais calmo e consciente das razões da nossa briga, eu fui pro meu quarto e chorei muito. Acho que às vezes os pais também precisam de um colo, de alguém que diga por onde ir, de alguém que ensine o que fazer. Mas quando viramos pais, parece que automaticamente deixamos de ser filhos e isso nos faz pensar que temos que resolver tudo sozinhos. Ontem eu gritei, mesmo sabendo que gritar não leva a nada. Ontem eu acabei dando um tapa na bunda, mesmo sabendo que bater também não é a melhor saída e por fim, quando não tinha mais sentido tudo aquilo eu simplesmente abracei ele muito forte até as nossas respirações se acalmarem e a gente poder seguir com mais harmonia. Eu sei que quando eu ajo desta forma destemperada, descontrolada e até irada, o Francisco no fundo sabe que ganhou aquela briga de mim, mas mesmo assim, é difícil agir de outra forma, quando um padrão de uma vida e de uma educação interira foi nesta linha. E mesmo eu promotendo a mim mesma que faria tudo muito diferente, inevitavelmente, os padrões tendem a se repetir. Então, o que eu tenho que fazer daqui pra frente é romper com o padrão e me desafiar todos os dias a agir diferente. Me desafiar, esta é a questão. Todos os dias me desafiar a ser melhor.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Depressão pós parto: como lidar com esse inimigo das mães?

Tenho uma prima que acaba de ter bebê e ontem quando fui visitá-la voltei no tempo e me lembrei de como foram difíceis os três primeiros meses da minha vida de mãe. Por mais que eu tenha planejado a minha gravidez, por mais que eu tenha lido e me informado a respeito em livros, revistas, nas conversas com as minhas amigas já mães, nada disso se compara a ser mãe de fato.
E cá entre nós, a grande maioria das pessoas faz que esquece - ou até já esqueceu mesmo - o quanto este início é complicado. O tornar-se mãe vai muito além do momento parir. Diferente do que muitos dizem, quando nasce um bebê não nasce uma mãe. Isso leva tempo e talvez leve uma vida inteira. Aquela pessoinha que saiu da gente é completamente desconhecida, assim como nós somos desconhecidos para ela. São tantas as mudanças, de autonomia, de controle sobre as coisas, de responsabilidade, de hormônios, da relação de casal, da relação consigo mesma, que fica complicado saber lidar com tudo isso ao mesmo tempo. E quando no meu caso, a depressão comum nas primeiras 48 horas começa a se estender por dias e dias, tem que ligar o alerta vermelho. No meu caso eu demorei a admitir que eu estava em depressão pelo simples fato de não aceitar que uma pessoa (no caso eu) que está passando pelo momento mais sublime da sua vida possa se sentir triste 99% do tempo. Mas o Fabrício percebeu e ele tomou as atitudes que eu não teria tomado: chamou minhas amigas psicólogas e fizemos uma primeira consulta, ali mesmo na sala de casa e elas me convenceram de que eu precisava de ajuda profissional, que não conseguiria sair disso sozinha. Eu tremia cada vez que o Francisco chorava, eu não comia nada o dia todo, eu chorava sem parar e eu pensava o tempo todo que ser mãe tinha sido um erro. E na verdade tudo isso nada mais era do que um descompasso químico no meu organismo que foi resolvido em questão de alguns dias com medicamento (e nem eram dos mais fortes). Em quinze dias eu era uma nova pessoa. Mais segura, mais leve, mais consciente das minhas limitações e das minhas virtudes e quanto mais o tempo passava, mais forte eu me sentia, mais conhecimento sobre o jeitinho do Francisco eu tinha e as tarefas foram ficando cada vez mais fáceis. E hoje, quando olho pro meu jeito de lidar com o Francisco (como se eu estivesse me vendo de fora) sinto certo orgulho do tipo de mãe que eu estou me tornando (pq eu tenho ainda muito, muito a aprender ainda) e de como a maternidade é sim algo sublime. Depressão pós parto é muito comum, mas se tratada adequadamente, passa. Maternidade é para toda a vida.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A difícil tarefa de sair das fraldas.

O Francisco está com 2 anos e cinco meses e, meio que motivados pela empolgação das profes que afirmaram que grande parte da turminha do Francisco está tirando as fraldas, decidimos começar o tão esperado - e tenso - processo.
Vou confessar que é preciso muito mais paciência do que eu imaginava e muito mais desprendimento do que eu imaginava para lavar tanta cueca cagada, porque o xixi é moleza, mas já o cocô... exige um extra.
Mas também confesso que nunca me diverti tanto. Já são inúmeras histórias engraçadas dos momentos em que o Francisco não conseguiu chegar em tempo ao penico. Já fez xixi na porta de casa, todo arrumadinho pra ir pra escola. Já fez cocô na pracinha e eu tive que achar uma forma de resgatar o "bonito" e levar para o devido lugar lá em casa, e por sorte tinha um potinho de iogurte vazio por perto e saquinhos de biscoito vazios para o transporte seguro da carga perigosa.
Já fez cocô em pleno corredor do supermercado em meio as compras e neste dia perdemos um membro importante da nossa familia: a cueca. Coitadinha, não teve salvação. Foi pro lixo, sem dó nem piedade. Mas enfim, estas pequenas histórias tragicômicas são só para ilustrar o quão leve podem ser os processos se a gente enxergar desta forma.
Nesta fase crucial na vida de uma criança em formação, não adianta se estressar, não adianta brigar, nem tentar impor, pois é um processo que precisa acontecer naturalmente e de forma leve, sem pressão. Vai haver um momento em que simplesmente as coisas vão acontecer no lugar certo, podem ter certeza. É um processo fisiológico e cada criança tem seu tempo.
Mas uma coisa é certa: quando tirou a fralda, não coloque de volta. Se não era ainda o momento certo - e no caso do Francisco, acho mesmo que é cedo ainda - azar. Bola pra frente e um bom estoque de cuecas na gaveta. Outra providência que evita desgaste é a literal antecipação das cagadas, ou seja, vai sair de casa pra qualquer lugar? Roupas e cuecas numa mochilinha e artigos para higiene e limpeza são a salvação da lavoura. Escapou? Ok. Limpa, lava e torce pra da próxima vez dar tempo de chegar ao banheiro. Com bom humor e uma dose extra de desprendimento, todo mundo vai rir das histórias um dia, e o que é melhor, de cueca bem sequinha.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Quando as pessoas que amamos vão morar longe.

Hoje é um dia de despedida.
Meus sogros e minha cunhadinha vão morar longe de nós. Mais precisamente, há umas sete horas daqui. E embora eu saiba que voltar pro interior sempre fez parte dos planos deles, sobretudo do meu sogro; que este sempre foi um assunto amplamente discutido em inúmeros almoços de domingo, nos encontros de família, lá no fundo sempre tínhamos a esperança de que com o passar do tempo as vontades fossem mudando e que eles acabariam desistindo, mas isso não aconteceu.
Então nos restou acolher e apoiar a vontade deles de retomar o estilo de vida interiorano, de poder circular sem medo pelas ruas, de poder ir de bicicleta a todo e qualquer lugar, de poder colher fruta direto do pé, criar alguns bichinhos, poder tomar banho de rio, ir pra escola a pé, viver de forma pacata e livre da tortura que às vezes morar nas grandes cidades representa.
E avaliando as coisas por este ponto de vista, até eu teria vontade de morar no interior. Mas o ponto não é este. O ponto é a saudade que vai ficar. Hoje quando queremos nos ver - e nos vemos, pelo menos uma vez por semana - pegamos o carro e em 10 minutinhos está tudo resolvido. Não será mais assim tão simples. Mas por outro lado, teremos mais um lugar pra ficar quando pensarmos em passear, em passar algum feriado prolongado fora ou até passar as férias de verão. O Francisco vai ter avós que moram no interior e eu me lembro muito bem como era legal ficar com meus avós, quando meus pais decidiram vir morar em Novo Hamburgo. Eu amava tudo na casa deles, o cheirinho do feijão do vô (principalmente quando dava uma queimadinha no fundo), a couve refogada da vó (sou fã de couve até hoje por causa dela), o pão feito em casa, o café da manhã com pão e melado. Correr pela rua, brincar de esconder no milharal do vizinho, não ter hora pra dormir e nem acordar. Férias nos avós representavam uma liberdade incrível. E com o Francisco não vai ser diferente.
E a saudade? A saudade muda com o tempo. Ela continua, mas não dói mais. E temos aí toda a tecnologia disponível para encurtar distâncias, mesmo que on-line.
Já falamos com o Francisco e explicamos para ele o que iria acontecer. Que os avós e a dinda iriam morar em outra cidade, mais longe e que não nos veríamos mais tanto. Mas que eles continuavam nos amando muito e nós a eles. As crianças têm uma capacidade surreal de adaptação, então nós adultos é que sofremos mais. A nós, resta desejar que este retorno às origens seja repleto de felicidade e realizações e que o adeus que vamos dar hoje não seja um adeus e sim, um até breve.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Dicionário Francisques aos dois anos.

Não tenho como deixar de registrar as maravilhas desta fase do Francisco: a descoberta da fala, das palavras e do significado de muitas delas. Sei que se eu não deixar gravado em algum lugar logo, logo isso vai se apagar da minha memória e eu vou me pegar tentando lembrar, sem conseguir. Então, lá vai.

dilossalo = dinossauro
tomá o almoço = almoçar
celôla = acerola
blóquili = brócolis
cami = carne
galinhão = frango (por causa da peça de teatro que ele viu que tinha uma galinha que era chamada de galinhão)
colação: coração (de frango, que ele ama e come quase um espeto sozinho, se deixar)
somimesa = sobremesa (o que vem depois de tomá o almoço)
João Pegu = como ele chama o primo João Pedro
Lala = como ele chama a prima Laura
Mathês = como ele chama o primo Matheus
Ico Cavalu Ne Môla = o nome dele é Francisco Carvalho de Moura
Fabício Cavalu Ne Môla = o nome do pai dele é Fabrício Carvalho de Moura
Lola Cavalu Ne Môla = o meu nome é Lola Carvalho de Moura
(conclusão: todos são "fulano" Cavalu Ne Môla pro Francisco)
Baquinho: barquinho
Olha uma luaaaaaa = quando ele vê uma lâmpada à noite
"eu não vô mais se tiste" = quando ele quer dizer "eu vou ser querido"
o Icoooo = quando ele quer fazer alguma coisa sozinho
Ico = Francisco
touada = torrada (o lanche preferido dele)
bata fria = batata frita (ele nunca come, mas sempre pede, só pra ver a gente rir dele)
tomá médio = tomar remédio
bani = o DVD do Barnei
muca = música
balão macu = balão mágico (seu CD preferido)
aebatadoe = tocar tambor ou ouvir a música "...sucesso arrebatador em lá américa central" do balão mágico
peadu = pelado
muca di boca = gaita de boca
cóqui - crocks
pijama di lua = pijama com estampa de estrelas que ele tem
pijama rótirrol = pijama com estampa de guitarras que ele tem

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Levar um bebê em show de adultos. Quem está no lugar errado?

Dia desses li no Caderno Donna, na coluna da Martha Medeiros, um texto sobre atitudes que esperamos que alguém tome, quando na verdade o alguém somos nós mesmos. E para ilustrar ela fala de um episódio em que fica estarrecida com uma mãe que leva seu bebê para assistir a um show de rock, pelo fato de não ter "alguém" pra ficar com ele e gostar muito, muito da banda. E aí a pergunta era: "que tal, você?". Pois bem, fui a um show no sábado passado, onde havia em torno de 50 mil pessoas e me deparei com uma moça e seu filho - de pouco mais de seis meses - nos braços. Nas poucas horas que estive lá, vi muita gente passando mal pelos cantos, sendo carregada por seguranças, acompanhei pelo menos três brigas e tudo isso no ambiente que era um pouco mais reservado ou VIP, que era onde ela estava com o bebezinho. E a pergunta que eu faço é: quem estava no lugar errado? Como mãe eu sempre preservei ao máximo o Francisco de certos tipos de exposição. Bebês são frágeis, não tem imunidade suficiente para lidar com determinados tipos de bactérias e virus que estão na grande maioria dos lugares que frequentamos. Então, até 1 ano, ele ia conosco em lugares "mais confiáveis", sem tanto tumulto, sem tanta gente. Mas cá entre nós, um show não é lugar para criança pequena, né? Normalmente, a classificação mínima é 12 anos e ainda assim, acho arriscado expor uma criança a um ambiente de adultos e que oferece tantos riscos. Acho que tudo tem um limite. A organização deste tipo de evento deveria barrar casos assim e mandar voltar pra casa, pois caso algo aconteça os organizadores podem ser até penalizados. Sei de muitos pais que se consideram mega descolados em envolver os filhos em tudo o que fazem e enchem a boca pra dizer "o fulaninho desde bebê, já ia a shows comigo", mas os pais podem ser descoladíssimos aproveitando a sua vida e continuando seus programas preferidos, sem envolver os filhos, curtindo sozinhos aquele show tão esperado ou saindo pra jantar com os amigos sem ter hora pra voltar. Para isso é que existem as babás, os tios, os avós, os dindos...show pra criança pequena é quase programa de índio. E se não tiver mesmo com quem deixar, compra um DVD e assiste em casa. Não é tão mal assim.